Tutorial de rádio-navegação por NDB e VOR (QDR, QDM, RDL)

Fonte: http://www.ivaobr.com/forum/index.php/topic,15326.0.html
Postado por Rogério Rossi em 16/Jul/2008

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Boas comandantes.

Estava eu verificando os arquivos que tenho em meu computador quando me deparei com um pequeno tutorial que foi feito por Marcello Fernandes para a Aerovirtual.

 

Creio ser muito importante e compartilho aqui com voces.

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QDR, QDM, RDL e sopas de letrinhas
Por Marcello Fernandes

Antes de tudo, a gente precisa saber alguns conceitos básicos para depoooois começarmos a falar disso. Vamos lá…

NDB: Non Directional Beacon ou radiofarol, é um transmissor que emite ondas eletromagnéticas em todas as direções além de um grupo de 2 ou 3 letras em código Morse, que o identificam. Essas ondas vão da freqüência 100 até 1750KHz (baixas e médias freqüências).

ADF: Automatic Direction Finder, ou rádio-compasso. Vou falar uma palavra complicada, não se assustem: é um instrumento de bordo “radiogoniométrico” , ou seja, medidor de ângulos com base em ondas de rádio! É esse instrumento que recebe as ondas eletromagnéticas emitidas por um NDB e possui um ponteiro que aponta na direção dele quando você seleciona a freqüência certa e está no raio de alcance dessas ondas (entre 40 e 150 milhas náuticas).

Proa: é o ângulo para onde aponta o nariz da aeronave em relação ao norte magnético (em inglês, heading)

Rumo: é a trajetória da aeronave em relação ao solo, levando-se em consideração o norte magnético. A indicação do rumo pode ser a mesma que a indicação da proa se não houver desvio de direção causado por ventos de través! (em inglês, track). Um exemplo da diferença entre Proa e Rumo: imagine um helicóptero com o nariz apontado para o norte (360°) e voando de ré. A proa do helicóptero é 360°, mas, o rumo é o oposto porque ele está voando para trás, ou seja, o rumo é sul (180°). Agora imagine o mesmo helicóptero apontado para o norte e pairado no ar… temos, proa 360° e rumo “nulo” porque não existirá trajetória em relação ao chão.

Marcação: é uma linha imaginária que que liga a aeronave a uma superfície na terra (um VOR, NDB, estação de radiodifusão, etc)

  Sorridente ——————————————————– Embarassado

No exemplo acima, a linha que liga o carinha de olhos esbugalhados à carinha vermelha é a linha de Marcação (poderia ser em qualquer direção).

Marcação Magnética: é uma escala em graus do ângulo formado entre a linha norte-sul magnética e uma Marcação (a escala vai de zero a 359 graus), essa marcação é carinhosamente conhecida como QDM.

                                                (000°)                   Cool (045°)
                                                   N
                                                   |
                                                   |
                                                   |
                                                   |
   (270°)  —————————-NDB——————–  (090°)
                                                   |
                                                   |
                                                   |
                                                   |
                                                   S
                                                (180°) 

         Grin

Suponha que este “carinha sorridente” é um avião; imagine uma linha reta saindo dele e indo em direção ao carinha de óculos escuros, cruzando exatamente por cima do NDB. Se o carinha sorridente tem um ADF (instrumento que recebe as ondas do NDB) a bordo, o ponteiro estará apontando na direção do NDB (ou seja 045°) que é a QDM. Em outras palavras, para o carinha sorridente chegar ao NDB, ele deverá seguir a QDM (direção) 045° a partir do ponto onde ele está no desenho. Por isso dizemos que é a “direção” de aproximação para um NDB, porque você voa na proa dele.

Mas, vamos supor que o carinha sorridente siga sua rota em direção ao carinha de óculos escuros. Para isso, ele terá que primeiramente sobrevoar o NDB certo? Ele seguirá, sorridentemente, a direção que o ponteiro do ADF está mostrando (045°) até chegar no NDB. Depois que passar pelo NDB, o ponteiro ainda continuará apontando, só que agora, para trás (pois o NDB ficou pra trás!). Como a direção antes do NDB era 045° (QDM), agora o ponteiro estará apontando para a direção oposta, ou seja, 225° (045° + 180° = 225°), então, o carinha sorridente deverá seguir a direção que a cauda do ponteiro indica. Isso mesmo! A parte de trás do ponteiro continuará apontando para 045° só que essa direção não é mais a QDM. Por que? Porque QDM é a direção que o ponteiro aponta para você se APROXIMAR do NDB.
Moral da estória: o ponteiro apontará na direção 225° (NDB) e a cauda do ponteiro apontará na direção 045° e você estará se AFASTANDO do NDB nesta direção! Quer saber o nome desta “direção”? É a QDR (conhecida pelos amigos como Linha de Posição Magnética).
Moral da estória 2: agora, a QDM é 225° (direção para voltar a se aproximar do NDB que ficou pra trás!) e a QDR 045° (direção de afastamento do NDB para chegar ao carinha de óculos escuros!).

Radiais: são ondas eletromagnéticas que se propagam em todas as direções a partir de um transmissor fixo, por exemplo, um VOR. Imagine uma roda de bicicleta com 360 raios. O eixo da roda seria o VOR e os raios seriam as radiais, cada uma seguindo sua direção até um certo limite de distância a partir do ponto de onde saem.
A propósito: tanto QDM como QDR são tipos de radiais sim! Radial é toda linha reta imaginária que parte de um ponto “X” e tem uma direção fixa até atingir seu limite máximo. O NDB emite 360 radiais que, como vimos, dependendo de onde você está situado e também para qual direção você está se deslocando em relação do NDB, essas radiais que ele emite recebem os nomes QDM ou QDR.

Acho que deu pra entender o básico, né?

Para finalizar, é bom sabermos que o ponteiro do ADF está sujeito a erros de marcação dependendo da situação. Por exemplo, se você estiver sobrevoando áreas de jazidas de minérios que podem conter magnetita (ímã), áreas montanhosas que interferem na propagação das ondas, reflexão ao se chocarem com determinadas superfícies que não absorvem essas ondas, refração ao estarem se propagando em um ar muito denso e logo em seguida adentrar um ar rarefeito (ganham velocidade e mudam um pouco de direção), enfim, vários fatores influenciam na propagação dessas ondas e, detalhes são detalhes!

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